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Rewind

Não se apaixonou.

Já lhe tinha sido suficientemente demonstrado que não conseguia mais abandonar-se a essa alegre despreocupação e percebera, fazia já algum tempo, que os primeiros contactos com as mulheres lhe suscitavam reacções automáticas, fora do seu controlo. Ou seja: ele limitava-se a exagerar só um bocadinho o agrado que lhes queria fazer sentir por terem reparado nele. Chegando então ao momento da névoa, aquele em que nem ele nem ela sabiam ao certo se estavam a falar a sério ou a brincar, deixava-se convencer que, a ser uma brincadeira, não era mais do que um tique nervoso para esconder o fogo, sério desta vez, que certamente ambos consumia. Então sentia como que uma obrigação em se apaixonar pela rapariga como se de uma dívida para com ela se tratasse.

Tanto levou a brincadeira a sério que acabou por sempre brincar com as situações verdadeiramente sérias. Nunca mais soube pensar em paixões sem ficar ríspido, congelado, como se de uma só e violenta vez se desse conta de tudo aquilo a que tinha renunciado e que por se dar conta dessa renúncia já não podia voltar atrás e ser inconsciente.